[ Midiatização de Movimentos Sociais ]

[Porque repasso notícias]

Setembro 16, 2008 · Deixe um comentário

Alow,

Esses dias, um de vocês perguntou por que ficamos trocando notícias e referências de campanhas aqui na lista de discussão. Percebi que isso pode não estar claro pra todos.

Estamos desenvolvendo uma pesquisa sobre uma questão social contemporânea importantíssima: como fazer as pessoas entenderem e participarem da política. Nossa teoria é que podemos usar algumas ferramentas de comunicação (assessoria de imprensa, mensagens publicitárias) para tanto, já que vivemos num mundo onde a mídia define a realidade. Nosso trabalho é justamente descobrir que ferramentas midiáticas estão sendo utilizadas hoje pela política não-institucional (ativista).

Agora, o que que é esse “social contemporâneo” e o que que é “a mídia define a realidade”?

Existem bazuquilhões de livros sobre essas duas coisas. Nenhum vai dar uma definição correta delas. Porque essas coisas não dependem de definição, e sim de percepção. Contemporaneidade é uma sensação, não uma definição. O poder das mídias é outra coisa que tem que ser sentida, não só definida.

Quando repasso notícias interessantes para vocês, ou quando vocês mesmos selecionam e jogam aqui, quando a gente discute a palhaçada que é o horário eleitoral gratuito (como na última reunião) ou o fuzuê em torno do acelerador de partículas que ia destruir a Terra, estamos construindo nossas percepções sobre o que está acontecendo no mundo. Estamos percebendo a contemporaneidade. Em particular no que interessa ao nosso trabalho: política e mídia.

Ler e entender estas notícias, como exemplos do que está acontecendo no mundo, vale muito mais do que 50 livros sobre teoria social ou teoria da comunicação – que são justamente pessoas pensando sobre estes exemplos (e é o que nós, enquanto pesquisadores, vamos fazer também).

Há uma questão de processo de pesquisa importantíssima aqui: idéias não surgem do nada, e sim de estímulos. Nos abastecendo constantemente de estímulos, estamos fomentando boas idéias na nossa cabeça sobre os caminhos que devemos tomar na pesquisa. Sem idéias, não teremos um bom trabalho.

Continuem enviando pra cá, ou publicando no blog, tudo que encontrarem de interessante sobre mídia, política, jornalismo, publicidade etc. É possível que nenhum destes email sirva diretamente como referência citada no nosso trabalho. Mas podem ter certeza que, por trás de cada linha que escreverem, vai estar tudo que vocês pensaram a respeito do que leram por aqui.

Abraço,
Érico.

Categorias: [Notícias]

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