Somos a célula “Midiatização de Movimentos Sociais”, parte do grupo de pesquisa “Comunicação, Artes e Processos Sócio-culturais”, da linha “Linguagens da Produção Cultural Contemporânea”.
O professor orientador e idealizador do grupo é Érico Gonçalves de Assis, que chamou para pesquisar com ele: Aline Matte, Fernanda Dreier, Danúbia Piva, Lucas Cruz, Mônica Zanotto, Tiago Franz, Douglas Frigeri, Tatiane Bodaneze e Ernesto Antonini. Todos alunos dos cursos de Comunicação Social – Habilitações em Jornalismo e Publicidade e Propaganda da Universidade Comunitária Regional de Chapecó.
Nossa justificativa
É de interesse da linha de pesquisa em Linguagens da Produção Cultural Contemporânea investigar não somente como se dão os processos midiáticos que criam aglomerações sociais em torno de produtos culturais – tendo por pressuposto o entretenimento como fenômeno central das relações entre mídia e sociedade –, mas também como outras esferas da atividade social formatam-se para esta nova realidade midiática, trazendo estas linguagens para si e adaptando-se a demandas de comunicação típicas da configuração social contemporânea.
É neste sentido que se propõe um estudo sobre a midiatização dos movimentos sociais organizados. Os tradicionais grupos de pressão da sociedade civil, com demandas políticas diversas, vêm construindo modelos de manifestação e atuação fortemente pautados pela consciência de que, sem uma reverberação midiática forte, não têm “existência” no contexto social atual.
A teoria da midiatização1 aponta como típico da organização social presente que o trânsito entre os campos sociais – como o campo da política não-institucional – e o corpo social se dá necessariamente por lógicas do campo midiático. Os meios de comunicação atingiram tal relevância para a sociedade contemporânea que não há como um movimento social comunicar-se com esta mesma sociedade se não por meio dos métodos, lógicas e práticas que se sedimentaram em torno das grandes mídias.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o Greenpeace, os movimentos estudantis ou com demandas identitárias, os grupos contra os caminhos da globalização – representantes, enfim, de diversas demandas sociais contemporâneas – apresentam crescentemente níveis de organização de manifestações que levam em conta suas formas de inserção (como ganhar espaço nos jornais, na TV, na Internet) e representação (como ter suas demandas representadas de forma positiva nestas mesmas mídias) midiáticas. Sem planejamentos de comunicação voltados para sua participação midiática positiva, tais grupos não conseguem tornar suas demandas nem ouvidas nem socialmente pertinentes.
Os métodos, lógicas e práticas da comunicação midiática correspondem ao aprendizado desenvolvido nos cursos de Comunicação Social (como Jornalismo e Publicidade & Propaganda). Tais cursos, porém, desenvolvem estas aptidões voltadas principalmente para a atividade empresarial capitalista. Este foco no mercado justifica-se por várias demandas sócio-econômicas, mas há uma lacuna nestes cursos no que concerne a aplicações alternativas deste conhecimento sobre comunicação. Percebe-se que os movimentos sociais organizados utilizam-se de uma comunicação midiática planejada a partir das práticas do mercado, mas adaptada para fins que não são os mesmos do mercado – é sobre estas adaptações que há pouco conhecimento.
A proposta de célula de pesquisa ora apresentada justifica-se no sentido de construir conhecimentos relevantes para aplicação no ensino de Comunicação Social não só em âmbito local, mas nacional, pois estas lacunas estão presentes na grande maioria dos cursos da área. Da mesma forma, este conhecimento pode e deve ser levado ao âmbito da extensão universitária, no sentido de publicações e orientações que auxiliem movimentos sociais organizados como os que crescem em Chapecó e região2.
Em um âmbito mais geral, a proposta serve aos fins sociais que a pesquisa universitária, no sentido de construir conhecimentos que façam avançar o trabalho de importantes atores sociais.
Nossos objetivos
Objetivo geral
Investigar como se dá a organização/planejamento de comunicação midiática de movimentos sociais contemporâneos, a partir de estudos de casos.
Objetivos específicos
- Selecionar casos de âmbito regional a nacional que sirvam como modelos de análise da relação organização/planejamento de comunicação midiática.
- Analisar as rotinas de trabalho das assessorias de comunicação que atuam internamente em grupos organizados da sociedade civil, no que tange ao planejamento de ações e da repercussão midiática destas mesmas.
- Analisar o branding – processo de construção e manutenção de marcas – de movimentos sociais, identificando as adaptações da lógica de mercado às lógicas da manifestação por demandas políticas.
- Desenvolver um referencial teórico sobre a midiatização dos movimentos sociais, a partir dos casos analisados.
- Elencar parâmetros e diretrizes para o planejamento midiático eficiente de movimentos sociais, de forma a propor modelos para estes mesmos movimentos em âmbito regional a nacional.
- Desenvolver a autonomia intelectual dos pesquisadores iniciantes envolvidos, a partir de um plano de trabalho estruturado para ensinar e pensar o processo de pesquisa.
- Construir relações dos conteúdos pesquisados com os cursos de Jornalismo e Publicidade & Propaganda, onde ainda há lacunas, em âmbito nacional, quanto ao planejamento de comunicação para movimentos sociais.


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